Estava a ter muitas dificuldades para escrever – dá impressão de que me faltava inspiração ou histórias… ficava sem saber o que colocar no papel, o que para mim é surpresa, pois sempre gostei e tive ideias para escrever.
Ao fazer uma reflexão sobre o assunto, porém, percebi que na verdade é difícil ser vulnerável… ser vulnerável é abrir-se ao mundo, é partilhar sobre os meus tabus, erros, sucessos… é conectar-me com os seguidores… mas… é disso realmente que escrever é, não é verdade?
E por isso, resolvi voltar a escrever mais regularmente e partilhar o que penso e sinto, perante situações relacionadas ao mundo profissional e talvez pessoal também. Meu princípio é que somos pessoas, portanto não podemos colocar duas caixas na nossa vida, ainda que o mundo diga que assim deve ser ou ainda que a expectativa seja que devemos manter esses dois lados separados.
E começo por partilhar, então, uma experiência que tive recentemente com alguém que era tão exigente consigo mesma, que me fez lembrar de mim, até há algum tempo. Por favor, não me entendam mal… Claro que precisamos ser exigentes connosco – primo pela excelência sempre e por isso se há-de querer fazer as coisas no mais alto padrão. Mas falo de uma exigência tão exagerada, que mesmo quando fazemos bem as coisas – sejam elas grandes ou pequenas – nunca estamos satisfeitas… falta sempre alguma coisa: a casa tá super limpa e qualquer pessoa elogiaria, menos eu… o relatório tá super bem feito, e até o receptor achou o máximo, mas para mim, poderia ser melhor – o meu filho teve uma excelente nota na escola, mas para mim, deveria ter sido mais alta, o subordinado faz o trabalho como deveria, mas acho que ele foi preguiçoso… Essa exigência, a meu ver, já parece doentia; é uma exigência tão alta que nunca está satisfeita! Já parece uma sanguessuga que nunca para de comer… precisamos alimentá-la sempre…
E na verdade é.… só que aqui alimentamos o nosso ego e damos uma suposta recompensa à nossa mente, pelo vazio que sentimos… ou talvez tenhamos tanto medo de errar, que a solução é exigir sempre mais de nós e dos outros. Queremos sempre mais, porque isso alimenta, falsamente, é claro, esse ego e dá-nos alguma sensação de que está perfeito… e como é algo doentio, ele nunca fica saciado… ou perfeito… quer sempre mais… às vezes até dá uma enorme vontade de elogiar, mas parece que é sinal de fraqueza e não o fazemos… “elogiar vai relaxá-lo” — dizemos. Preferimos ficar na solidão, com o nosso “elevado padrão de excelência” que no fundo é apenas a maneira que encontramos para mostrar a nossa superioridade e utilidade a quem está a olhar ou para esconder o medo que temos de falhar ou cometer erros.
E como nos livrar disso? Aliás, será que podemos livrar-nos disso? Claro que sim! Não baixando o nosso padrão, mas reconhecendo que o fazemos pelas razões erradas – exigir excelência não deve servir para alimentar o nosso ego e sentirmo-nos superiores, e muito menos para esconder os nossos medos, mas para garantir qualidade e melhoria contínua, que deve ser uma forma “normal” de trabalhar e uma característica de quem somos, pois fala de nós, e porque ser excelente é a coisa certa a fazer. Sempre!
Seja como subordinado ou como líder. Aliás, o líder tem dupla responsabilidade quando se trata de excelência – a sua e a dos seus subordinados. Ele é a pessoa que garante que a equipa seja focada na excelência, com ou sem a sua presença, fazendo o que devem fazer para dar os resultados esperados. Missão fácil? Não. Mas a historia já nos provou que é algo possível – basta querer e organizar-se para tal.
Permita-se ser excelência e querer excelência pelas razões certas!